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Amamentação

Como é bom ser mãe... Uma experiência maravilhosa pela qual muitas de nós, mulheres, temos o privilégio de passar. A maternidade envolve várias etapas, cada qual com suas características próprias, vivenciadas pelas mães de distintas formas. Primeiro vem a gravidez, que normalmente dura quarenta semanas. Para muitas, uma época de muita alegria e boas expectativas. Em seguida, passamos pelo temível parto, que pode acontecer via vaginal ou cesáreo. Depois nos encontramos no puerpério, o qual vem acompanhado pela amamentação. Finalmente nos deparamos com a função de mãe dentro da família. Mas hoje quero falar sobre como a amamentação trouxe mais brilho à minha vida.
São 21:30 do dia 24 de dezembro de 2006, vépera de Natal. Estou deitada em uma maca, dentro da suíte do Hospital e Maternidade São Marcos, em Maringá-PR. Estou sonolenta. Escuto vozes de pessoas entrando e saindo do meu quarto escuro. Sinto uma quentura nas pernas e formigamento nos dedos dos pés, e não consigo mexê-los. Meu corpo inteiro treme e meu rosto coça de forma insuportável. Mais tarde descubro que essas sensações são consequência do efeito dos anestésicos e sedativo administrados durante e após a minha cesárea de urgência. Estou quase pegando no sono quando de repente sinto uma dor em fisgada do meu mamilo esquerdo. Olho para ver o que está acontecendo, e percebo que tem um pequeno bebê sugando o meu mamilo, sendo auxiliado por uma enfermeira. Que sensação estranha, desagradável! Mas eu deixo ela continuar sugando e ela não pára. Suga com muita voracidade durante pelo menos uma hora. A enfermeira havia me orientado: "Ofereça o seio sempre que ela quiser e deixe ela mamar à vontade." Continua a sugar meus mamilos, com um apetite que parece insaciável. Ficando uma hora em cada um deles. A dor vai piorando gradativamente a cada mamada, até que aparecem fissuras e bolhas em ambos os mamilos. A partir daí, a dor torna-se intensa. Tão forte quanto a dor do trabalho de parto. Talvez pior. Começo a sofrer por antecipação. As horas passam rápido e quando vem o chorinho de fome, respiro fundo, fico tensa, mas espero ela terminar com toda a paciência do mundo. Que decepção! Sempre ouvi histórias de que o ato de amamentar era prazeroso. Sonhava com o dia em que poderia amamentar a minha bebezinha. Enfim, sofri com a amamentação durante quinze dias após o nascimento da minha filha. Tive fissuras nos dois mamilos, mastite e meu leite "empedrou". Minhas mamas ficaram do tamanho de dois melões, tive que contratar um enfermeira para me ajudar com a ordenha. Chorei, me desesperei, fiquei deprimida, perdi as esperanças e quase desisti de amamentar a minha filha. Comprei livros sobre o assunto, o bico de silicone, a concha para amamentação, pomada para cicatrização, fiz banho de luz nos mamilos, tirei meu leite e coloquei na mamadeira para espaçar mais as mamadas. Tudo para tentar aliviar a dor. De nada adiantou. Só continuei amamentando porque conhecia os benefícios do aleitamento materno, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Minha sogra, meu obstetra e os livros que li também me motivaram. Com o passar do tempo, melhorou. Um mês depois eu estava nas núvens. Como é que pode uma sensação tão desagradável se tornar algo tão prazeroso? Queria que meu marido soubesse o quanto era bom, então um dia pedi que ele deixasse ela sugar o mamilo dele. Ele exclamou: "Ai, ai! Chega, chega!" Sentiu aquela mesma fisgada que eu havia experimentado na maternidade. Todos os nossos sentidos são estimulados durante o ato de amamentar. Sentimos o calor do corpo do bebê, que está muito próximo do nosso. Sentimos também os mamilos sendo sugados, os movimentos rítmicos da língua do bebê, a agradável sensação inexplicável de quando o leite está "descendo" pelos minúsculos ductos mamários e indo em direção aos pequeninos orifícios nos mamilos. Escutamos o som do leite sendo deglutido pelo bebê junto com a respiração dele enquando ele mama: música para nossos ouvidos. Olhamos as expressões de satisfação em seu rostinho. Normalmente fica de olhos fechados e com toda a musculatura relaxada, exceto os músculos usados para sucção. Podemos sentir o cheiro doce do leite misturado com o cheiro do bebê e o shampoo Johnson. E finalmente, vem a sensação de alívio e bem estar quando o bebê termina de mamar e as mamas estão vazias. Posso compará-la ao que sentimos após: uma boa refeição, uma boa noite de sono, o orgasmo, uma atividade física intensa, a defecação. Enquanto a amamentação está acontecendo, nada além daquele momento importa: se vai fazer chuva ou se vai fazer sol, se o Corínthians vai ganhar o campeonato Brasileiro, se os peitos vão murchar e cair... o tempo pára, e as preocupações desaparecem. Como é bom ser mãe! O aleitamento materno trás muitos benefícios tanto para o bebê quanto para a mãe. Além de proporcionar ao pequeno uma dieta natural e completa, o leite materno oferece ainda um determinado número de benefícios importantes. O seu equilíbrio adequado de proteínas, carboidratos, lípidos e minerais permite uma digestão fácil, com menos problemas intestinais como a diarréia e a constipação. Os bebês que são amamentados têm menos hipóteses de ganhar excesso de peso. Há ainda uma menor possibilidade de vir a sofrer perda excessiva de água ou de outras perturbações relacionadas. Os bebês amamentados têm menos chances de sofrerem reações alérgicas ou infecções bacterianas. Além disso, o leite materno fornece ao bebê uma proteção natural, devido aos importantes anticorpos que são transmitidos da mãe para a criança através do leite. A amamentação traz também benefícios psicológicos para o bebê ao permitir-lhe sentir a proximidade e calor físico do corpo da mãe, desfrutar do som da sua voz e a visão do seu rosto e, ao mesmo tempo, satisfazer as necessidades de sucção do bebê. A mãe que amamenta desfruta de uma relação de partilha e de satisfação única para si e para o seu bebê. O ato físico de sucção do seu bebê proporciona alivio do desconforto das mamas túrgidas. A amamentação a ajuda a retornar ao seu aspecto físico normal com maior rapidez, ao mesmo tempo que permite ao seu útero voltar mais rapidamente ao estado normal de não gravidez. Além de tudo isso, a amamentação é um meio econômico e conveniente de alimentar o bebê. O leite materno está sempre disponível quando o bebê tem fome, e na temperatura certa. Um levantamento do Ministério da Saúde feito em todas as capitais e Distrito Federal e em outros 239 municípios e que somou informações de aproximadamente 118 mil crianças, mostra que o tempo médio do período de aleitamento materno no Brasil aumentou um mês e meio: passou de 296 dias, em 1999, para 342 dias, em 2008, nas capitais e Distrito Federal. O estudo também revelou um aumento do índice de aleitamento materno exclusivo em crianças menores de quatro meses. Em 1999, era de 35%, passando para 52% em 2008. Outro resultado importante está relacionado com o aumento, em média, de um mês na duração do aleitamento materno exclusivo nas capitais e Distrito Federal. Em 1999, a duração era de 24 dias e, em 2008, passou a ser de 54 dias – ou seja, mais que dobrou. “O Brasil é um dos poucos países onde há uma política nacional de aleitamento materno coordenada no nível federal. E também onde as normas de controle de comercialização dos ditos ‘substitutos do leite materno é exemplo para outras nações”, explica Elsa Giugliani, coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, do Ministério da Saúde. Tudo isso impacta diretamente em uma maior conscientização da população. Apesar de ter aumentado o número de mães que amamentam, ainda existem muitas crianças que não recebem o leite materno. Para as mães que não amamentam por opção, só tenho uma coisa a dizer: vocês não sabem o que estão perdendo!
Escrito por Vivi às 01h03
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Mamando no Wallmart

Sou brasileira de nascença e de coração. Moro em Stillwater, uma cidadezinha do interior de Oklahoma, nos USA, há 2 meses. Apesar de já ter morado aqui durante um ano como intercambista, ainda estou me acostumando com as diferenças culturais. Stillwater é uma cidade linda e muito tranquila, um lugar perfeito para morar com a família. Sou casada e tenho dois filhos, sendo que um deles tem 4 meses e se alimenta de leite materno exclusivo. Antes de vir pra cá já sabia da polêmica que é a amamentação em público aqui nos EUA. Muitas pessoas a consideram uma atitude vulgar e uma ofensa aos olhos de quem vê. Essa é uma das dificuldades que tenho aqui, pois sempre me senti à vontade no Brasil quando precisei amamentar minha filha em lugares como restaurantes, shoppings e etc. Aqui em Stillwater costumo amamenta-lo em casa. Saio quando ele está dormindo e/ou satisfeito. Evito ao máximo amamentar em público pois não gosto de me expor e chamar a atenção. Assim que cheguei na cidade precisei ir ao mercado. Calculei que terminaria minhas compras em 30 minutos, voltaria pra casa e ainda teria tempo para guardar as coisas antes de ele acordar faminto. Mas como nunca fui muito boa com relação à orientação de tempo e espaço, meus planos não deram certo. Demorei 1 hora para encontrar tudo o que precisava e ele acabou acordando. Eu tinha 2 opções: Encher a barriguinha dele de leite ali no mercado, ou deixar ele esperando 20 minutos até chegarmos em casa. Escolhi a primeira opção. Mas onde??? No carro não dava pois estava longe, eu não tinha passado pelo caixa ainda e aqui nos EUA não tem caixa preferencial para idosos, gestantes, deficientes e lactantes. Tinha um banco de madeira na entrada principal do mercado e tinha também o banheiro. Larguei meu carrinho pra trás e fui pro banheiro. O cheiro lá dentro estava insuportável. Sentei no vaso sanitário, daqueles sem tampa, e bastante desajeitada coloquei o meu bebê no peito. Cada vez que alguém dava descarga, meu bebê se assustava. Não aguentei ficar ali nem 1 minuto. Antes de eu sair do banheiro, pra minha surpresa, escutei um barulhinho familiar. Era um outro bebê mamando, também dentro de um dos cubículos! "Que absurdo!", pensei. Dirigi-me ao banco de madeira na entrada do mercado. Sentei, coloquei meu bebê pra mamar. Sem exagero, TODAS as pessoas que entraram e saíram por aquela porta olharam pra nós como se fôssemos coisa de outro mundo. Muitas delas fizeram cara feia, outras cochicharam, duas ou três sorriram pra mim. Eu tentei não olhar pra elas, fiquei olhando pra ele e esperei ele terminar. Depois de uma meia hora ele olhou pra mim, arrotou e sorriu. Terminei minhas compras e fomos pra casa. Ele satisfeito e contente, eu aliviada por ter alimentado o meu bebê no momento certo. Mas fiquei muito indignada com a atitude das pessoas, afinal existe coisa mais bonita do que a maternidade? Que mundo estranho é esse em que estamos vivendo? Onde uma mãe não pode amamentar o seu bebê sem preocupações? Fatos: Aqui nos EUA o índice de aleitamento materno é muito baixo. Muitas mãesjá saem da maternidade dando fórmula aos bebês. Outras compram o "tira leite" automático no Wallmart, retiram o próprio leite e colocam na mamadeira. Tem até recipientes próprios para colocar o leite antes de ser congelado. Assim, deixam de amamentar em público e oferecem ao bebê uma mamadeira ao invés do seio. Aonde fica a tão importante relação mamãe-bebê nessa história toda? Achei muito interessante a opinião do meu querido primo à respeito da amamentacãom público, publicada em seu blog : www.cambuinha.zip.net. Peço licença para usar alguns trechos de seu texto como conclusão. " (...) Por que as pessoas não gostam de amamentar? Penso que a vaidade feminina – e mesmo masculina naqueles “mais heterodoxos” – transforma-se em patologia. Seria para o peito não cair? Teriam as mulheres vergonha de seus seios túrgidos? O que os americanos vêem de despudorado e séptico no ato de amamentar? O que há de errado na foto aí em cima? Pudicícia e vaidade patológicas. Aqui no Brasil, dia desses pegou fogo numa favela em São Paulo. Enquanto uma mãe tentava salvar seus singelos apetrechos do barraco em chamas, a vizinha estava com o filho daquela o amamentando! Viu que a criança chorava e não teve dúvidas. Frente a uma câmera de TV que registrava tudo, tirou o seio para fora e a criança se satisfez. A repórter foi entrevistá-la e escutou palavras doces acompanhadas por um belo sorriso. Aquela criança agora era um pouco filha da pobre e macilenta “mãe-de-leite”. Esquecemos que somos Homo sapiens. Uma espécie que precisa de sexo, comida, urinar, evacuar, amamentar e reproduzir. Reprimimos o reflexo gastro-cólico (no café-da-manhã o estômago que se enche promovendo contrações colônicas que favorecem a evacuação) todos os dias, pois sempre estamos atrasados para o trabalho. Então compramos caixas de “Activia”. Não queremos filhos pois o que enobrece é o dinheiro e trabalho. Mulheres não amamentam pois peito é pra apontar ao norte e se encher de silicone. Ademais, perdoem-me por ser meio prolixo, as mulheres grávidas são as mais bonitas que se vê por aí. Talvez pela chuva inesgotável de hormônios femininos que circulam. Tornam-se muito mais atraentes. Ora! O sujeito pode ser o Bill Gates, ter milhões e milhões de dólares. Se não tiver filhos, biologicamente é um fracassado. E viva a Biologia! Abaixo o capitalismo que quer transformar humanos em máquinas estéreis! "
Escrito por Vivi às 04h17
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